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OS CAMINHOS DA MENTE

     Fase intra-uterina - ovo (15 primeiros dias), embrião (até o terceiro mês), feto (a partir do quarto mês)Fase extra-uterina - recém nascida (15 primeiros dias), infância (até o primeiro ano), segunda infância (de 2 a 5 anos), pré puberal (de 6 aos 12 anos), puberdade (de 12 a 16 anos), pós puberal (21/ 25 anos), virilidade (de 25 anos até a menopausa),velhice( 80 anos ).No bebê, o ego está se formando, mas ainda muito frágil. Quando nasce, não tem identidade (percepção de si). Nos primeiros contatos com a mãe não há discernimento entre objeto externo (mundo externo) e ser em questão (bebê). O bebê apenas sente que algo bom ou ruim pode ocorrer no que diz respeito a satisfação de suas necessidades básicas. O bebê é um aglomerado de pulsões agindo no sentido de provocar prazer ou desprazer. O bebê satisfeito é aquele que está bem alimentado, bem agasalhado e com a mãe perto - sente prazer. Os momentos bons (de estabilidade) são chamados por M. Klein de "seio bom". Os momentos não tão bons (de espera, por exemplo, quando a mãe está longe do bebê) são chamados de "seio mau". O bebê introjeta o seio bom e o seio mau e projeta tudo isso com intensidade peculiar.
Há sempre algum tipo de sofrimento do bebê em relação a realidade. Na verdade, em cada fase do desenvolvimento humano há sofrimento, há angústia. Se a angústia for muito aguda e insuportável, algum estado patológico poderá aflorar: "O sofrimento produzido pela realidade leva á identificação projetiva patológica, e isso por sua vez leva a realidade a se tornar cada vez mais perseguidora e penosa"(M.Klein)

     O sofrimento faz parte da existência de cada um de nós. É um mal estar que podemos dar o nome de solidão: o ser humano busca integrar a sua mente através de um certo equilíbrio entre id=prazer, ego=razão e superego=censura - processo sempre difícil e sofrido pelo resto da vida. Este processo não deixa de ser solitário porque individual, único.

     "O sentimento de solidão pode diminuir ou aumentar, mas nunca pode ser completamente eliminado, porque a tendência para a integração, assim como o pesar experimentado nesse mesmo processo, brotam de fontes internas que continuam operantes pela vida afora"(M.Klein).Na luta por um equilíbrio mental, segundo M.Klein, o bebê atravessa duas fases: - posição esquizo-paranóide - a principal ansiedade é a de que o ego seja destruído pelo objeto ou por objetos maus.-posição depressiva - as ansiedades brotam da ambivalência, a principal ansiedade é a de que seus próprios impulsos destrutivos tenham destruído ou destruam o objeto que ama e do qual depende totalmente.

     Eu amo os meus pais. As primeiras identificações ou laços amorosos acontecem com os pais. Geralmente o menino desenvolve uma libido (amor) pela mãe e uma libido (destrutiva ligada ao seio mau introjetado) pelo pai. É a fase que o menino quer afastar o pai da mãe, quer que apenas a mãe lhe dê carinho, comida, etc. Por desejar neste momento afastar o pai da mãe desenvolve uma culpa:-culpa - "não devia sentir o que sinto".-castigo - sente-se perseguido, "alguém vai me castigar por isso". O menino pode senti-se tão culpado e tentar se punir desenvolvendo um comportamento parecido com o do pai,por exemplo:apresentando a mesma tosse do pai.Quando o menino percebe que não conseguirá a mãe somente para ele, dessexualiza a mãe através da sublimação (transformação num amor ideal). Aqui está presente o superego (censura).
O amor ideal (platônico) deixa suas marcas e aparece bastante na fase da adolescência (ex: paixão do menino pela professora, nunca dará certa, mas a situação primitiva do Complexo de Édipo repete-se). O amor adolescente é uma tentativa de definição da própria identidade numa constante oscilação entre ser criança e ser adulto.

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