Quais os caminhos afetivos inconscientes desenvolvidos na relação pais-filhos?
- a menina se apaixona pelo pai e se identifica com a mãe, escolhendo um homem para marido.
- o menino se apaixona pela mãe e se identifica com o pai, escolhendo uma mulher para esposa.
- o menino se identifica com a mãe, escolhendo um homem para parceiro sexual.
- a menina se identifica com o pai, escolhendo uma mulher para parceira sexual.
- o menino e a menina não escolhem pai ou mãe, mas se escolhem como objeto de amor=narcisismo.
Eu estou apaixonado.O amor platônico, característica marcante dos adolescentes apaixonados, aparece no adulto apaixonado com a vivência da idealização do objeto amado, com a dependência psíquica e com o predomínio da fantasia. Já na relação conjugal, dois aspectos serão relevantes: as identificações maternas/paternas internalizadas e o grau de desenvolvimento intrapsíquico de cada parceiro.
Quando os parceiros estão vivenciando um processo intenso de idealização, a opção por algo racional fica comprometida. Para preencher uma carência afetiva, escolhe-se a paixão e não a pessoa numa tentativa de neutralizar problemas pessoais. Todas as ansiedades provenientes da relação pais e filhos refletem-se na escolha do parceiro para casamento, são as identificações familiares internalizadas.
O casamento também leva em conta a capacidade de cada parceiro em ser flexível, ou seja, o grau de desenvolvimento de cada parceiro interfere para que uma relação seja feliz. Uma relação estável e madura implica em: respeitar o espaço do outro e capacidade para mudar dialogando sobre alternativas.
Em muitos casamentos a ruptura não acontece por causa de conflitos sérios, mas pela incapacidade de lidar com tensões. Uma das principais fontes de infelicidade está na discrepância entre expectativas conscientes e inconscientes de cada parceiro. Os principais indicadores de separação são: relações sexual insatisfatórias, falta de comunicação, hostilidade, indiferença, falta de companheirismo, forte vinculação com os filhos em prejuízo do relacionamento do casal.
Eu vou fazer análise
Na análise o paciente vai colocar no analista os seus conflitos emocionais advindos de relações objetais complexas, principalmente com os seus pais. O psicanalista vai representar para o paciente, por exemplo: um pai bom, uma mãe ruim, um irmão odiado, etc. O psicanalista vai ser então o espelho dos conflitos do paciente. O paciente vai transferir as suas representações emocionais para o psicanalista, a transferência é a repetição inconsciente das vivências do passado. Há uma transferência positiva quando o paciente sente pelo analista amor, apego, confiança, paixão. Há uma transferência negativa: ódio, desconfiança, inveja. O psicanalista também questiona os seus sentimentos pelo paciente. A boa aliança analítica é pontuada por um amor essencial para que os conflitos emocionais possam ser elaborados.
A regra fundamental da Psicanálise é a associação livre de idéias. Esse processo de comunicação livre vai esbarrar nas resistências inconscientes: vai chegar algum momento em que o paciente terá vergonha de se expor e haverá uma crítica a essa lembrança desagradável. Uma parte deste material é projetada no analista: aquilo que é rejeitado ou amado é projetado no analista.
O analista deve ajudar seu paciente a transformar em pensamentos conscientes os sentimentos inconscientes, aumentando a tolerância em relação a ansiedade, identificando conflitos e refletindo sobre eles.
A liberdade interna
Na verdade, o que todo ser humano busca é a sua liberdade interna. Sofre na sua relação consigo mesmo, sofre na relação com as pessoas. Sente-se preso e cada vez mais preso porque não consegue entender o que está acontecendo. O desenvolvimento pessoal, a análise tem essa finalidade: de levar o ser humano a conquistar a liberdade através de um questionamento profundo. Muitas vezes as pessoas expressam a sua falta de liberdade na forma de doença. Por exemplo: determinada paciente de oito anos sofria de asma, sua mãe dizia ter um amor excessivo por ela, ser muito possessiva. A criança sentia-se oprimida sob a máscara do amor. Por traz deste amor ocultava-se o ciúme, o medo de perder. Não é que a mãe ama sua filha demais. O que é demais é a atitude possessiva. Segundo Bruno Bettelheim: "o desejo de governar a vida de outra pessoa não é amor".
"As pessoas dão flores de presente porque nas flores está o verdadeiro amor. Quem tentar possuir uma flor, verá sua beleza murchando. Mas quem apenas olhar uma flor num campo, permanecerá para sempre com ela. Porque ela combina com a tarde, com o por do sol, com o cheiro da terra molhada e com as nuvens do horizonte. A floresta me ensinou que você nunca me pertencerá e por isso terei você para sempre. Você foi a esperança dos meus dias de solidão, a angústia do meu momento de dúvida, a certeza dos meus momentos de fé. O amor é a liberdade." (Paulo Coelho)
Como chegar a liberdade interna? Será que há uma tendência a alienação em todo ser humano? Segundo Simone de Beauvoir: "os primitivos alienam-se no totem, os civilizados em sua alma individual, em sua propriedade: tentação a inautencidade". O caminho para não cair na alienação é pensar, analisar. Sem dúvida, a abertura ao pensamento faz com que o ser humano possa compreender o sentido de sua existência. Para pensar, é preciso de silêncio interno. O silêncio assusta porque é o revelador da profundidade das idéias. Existe aquele momento em que a voz fica trêmula, a garganta seca, a pele ruborizada e o coração palpitante. É quando a pessoa se pergunta: "o que está acontecendo agora comigo?". Sente medo de ir mais além de si mesma, atravessar mais algumas defesas. Mas ela vai em frente porque medo e desejo são companheiros nesta caminhada em busca de algo muito precioso: um sentido para a própria vida.
Texto de: Regina Célia Pastore Mello
Psicóloga do Centro Comunitário Alto de
Pinheiros - (11) 3021-7228
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